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Diário Matinal

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Sexta-Feira, 24 de fevereiro de 2017

 
 

Bom dia,

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Taxa de desemprego continua a piorar. O IBGE divulgou os dados de desemprego relativos a janeiro hoje, com taxa de desocupação alcançando 12,6%, piora de 3,1 p.p. em relação ao visto doze meses atrás e de 0,6 p.p. na comparação com o dado do final de 2016. Esse é um claro ponto de preocupação para o ano, pois a tendência é que o nível da taxa de desemprego ainda mostra piora ao menos no decorrer do 1S17. O governo tem tomado medidas para estancar essa sangria, como incentivar o setor de construção civil, grande demandante de mão de obra, mas a percepção é que o desemprego deve ser um dos dificultadores para a reação da economia brasileira. No decorrer do dia, ainda saem a expectativa do consumidor, pela CNI, e o resultado fiscal consolidado, divulgado pelo Banco Central, lembrando que ontem, o superávit primário do governo central superou de longe as expectativas.

Confiança de serviços avança, enquanto a da indústria mostra acomodação. A confiança do setor de serviços mostrou evolução em fevereiro, puxado pela expectativa em relação aos resultados futuros, que atingiu o maior nível desde outubro de 2014. A visão sobre a situação atual, no entanto, voltou a piorar, após forte alta em janeiro. Já a confiança na indústria mostrou acomodação em fevereiro, caindo 1,2 ponto, vindo de forte alta nos últimos meses. Um dos pontos que levou a essa acomodação foi a percepção sobre o nível de demanda atual, ainda fraco. Além disso, o nível de utilização da capacidade instalada também recuou. Todavia, dois fatores devem ajudar esses segmentos no decorrer do ano, a queda de juros e a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS, o que pode dar um fôlego extra no decorrer do ano.

IPC-FIPE veio com queda na terceira semana de fevereiro. O índice de preços ao consumidor (IPC-FIPE) da terceira quadrissemana de fevereiro veio com queda de 0,05%, ficando bem menor com o projetado pelo mercado que era de uma alta de 0,02%, mesma variação apontada na quadrissemana anterior. Os grupos que contribuíram para esta redução foram os de Alimentação que passou de -0,40% para -0,61%, de Transportes que saiu de -0,06% para -0,08%, de Despesas Pessoais que caiu 0,02% contra a elevação de 0,11% na medição anterior e o de Saúde que saiu de 1% para 0,81%. Já o de Vestuário (saiu de -0,65% para -0,48%) continuou no campo negativo, apesar de ter caído menos que na última divulgação.
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Agenda econômica esvaziada abre espaço para eventos políticos nos EUA. Hoje sairão as vendas de novas moradias referentes à jan/17, onde a estimativa é de um avanço de 6% em relação ao fim de 2016, além dos dados de confiança do consumidor norte-americano, cuja previsão é de que o índice chegue a 96 pontos tendo em vista a melhora no mercado de trabalho e a recuperação mais consistente da economia. Mas, essas informações deverão ficar em segundo plano para os mercados, pois haverá o discurso do presidente Donald Trump no Partido Republicano, no qual suas indicações para as políticas na área econômica poderão afetar (para cima ou para baixo) o rumo do mercado bursátil.

Ausência de dados macroeconômicos relevantes deixa bolsas mundo afora influenciadas pelo noticiário corporativo. Na China, os principais índices acionários oscilaram ao redor da neutralidade, revertendo as altas recentes em virtude das expectativas sobre reformas econômicas por lá. Na Europa, o pregão está sendo majoritariamente negativo em razão da temporada de resultados das empresas, tendo a petroquímica BASF, a operadora de telefonia Vivendi e o banco britânico RBS puxando as bolsas para baixo. Os futuros nos EUA também estão em "modo espera" ao discurso de Donald Trump (tem texto detalhado acima). Aqui no Brasil, o noticiário político carregado juntamente com os balanços corporativos divulgados vão guiar o Ibovespa que também aguarda a fala de Trump.
 
 
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Resultado abaixo do esperado da Multiplus (MPLU3). A companhia experimentou queda nas principais linhas da publicação nesse 4T16, com destaque negativo para o faturamento de pontos, que caiu 16,2% na comparação anual, fruto de uma menor quantidade de pontos emitidos e de queda no preço por ponto. Os pontos resgatados no trimestre também caíram, impactando negativamente a receita líquida, que caiu na comparação com o 4T15. A estratégia da Multiplus de incentivar o resgate no varejo trouxe um incremento nos custos da companhia com esse tipo de resgate, pressionando as margens. Por essa conjunção de fatores, o lucro líquido da empresa caiu 7,6% contra doze meses atrás, quando a expectativa era de expansão ainda que leve. Apesar desse cenário mais complicado, a companhia vai pagar proventos robustos. De dividendos, o valor será de R$ 0,80093151 por ação e de JCP, R$ 0,03340216 (valor já líquido) por ação. O yield das duas distribuições somadas é de 2,4%. Papéis ficam ex no dia 10 de março, então o investidor tem até o dia 9 para comprar os ativos e ter direito à distribuição. Pagamento se dará no dia 22 do mesmo mês. Esperamos reação negativa aos números trimestrais, ainda que o anúncio de proventos polpudos possa mitigar esse efeito.
   
Números pressionados do Banco Pine (PINE4) nesse trimestre. O banco reportou números ruins no 4T16, pressionados por retração na base de receitas de crédito e PDD ainda bem elevada. A queda na carteira de crédito do banco foi de 7% em doze meses. Vale lembrar que boa parte da carteira de crédito do banco é colaterizada, ou seja, coberto por garantias. O resultado desse cenário mais adverso foi um prejuízo de R$ 9 milhões nesse último trimestre. Apesar do resultado ruim, vale destacar que a estrutura de capital do banco e sua liquidez estão em um nível bem confortável, fatores que são até mais relevantes para determinar a saúde financeira de qualquer instituição financeira. Ainda assim, os números fracos trimestrais devem deixar os papéis do banco mais pressionados no curto prazo.

Marisa (AMAR3) terminou mais um trimestre com resultados fracos. O 4T16 foi mais um período bastante desafiador para as vendas nas lojas Marisa, que finalizou o trimestre com redução de 14,8% em seu faturamento. Tal queda é resultante principalmente da redução no ticket médio no período, reflexo direto da antecipação das liquidações de Verão para Jan/17 e a menor oferta de itens no evento Black Friday, além disso, houve menor fluxo de clientes nas lojas. A receita de juros, líquida de custos de captação, teve aumento de 17,3%, decorrente principalmente da importante recuperação de 5,5 p.p. na participação dos cartões Marisa nas vendas da companhia. Já a receita de serviços financeiros apresentou decréscimo de 11,9% no período, atingindo R$ 40,3 milhões, devido à redução do número de contas ativas em 5,5%. O EBITDA consolidado ficou 43,4% menor no período em análise, tanto por conta da forte queda nos resultados da operação de varejo e pelos menores números de serviços financeiros. Desta forma, seu resultado final veio negativo, revertendo o lucro apresentado no 4T15. Outro ponto negativo é seu endividamento, a empresa fechou o ano com alavancagem de 2,3x ante 1,90x. Para 2017, a empresa está mais confiante quanto à melhora econômica, mesmo de uma forma mais lenta, além da redução na taxa de juros e a menor inflação que irão ajudar a aliviar a pressão na renda do consumidor da classe C (seu principal cliente). Outro ponto é que a empresa vem com um movimento de recuperação de preços mais efetivo e o foco na melhora em alguns aspectos de marketing: produto, campanhas, meios de pagamento, comunicação etc, que tendem a ajudar os seus próximos resultados. A Marisa fará sua teleconferência hoje às 13h00. Continuamos reticentes quanto a uma melhora no curto prazo para seus papéis. Acreditamos que suas ações irão performar negativamente no pregão de hoje.

BRF (BRFS3) apresenta resultado pressionado. O cenário de recessão econômica no mercado doméstico, a inversão na trajetória cambial, a forte alta dos preços dos grãos nos últimos trimestres e a performance abaixo do esperado das divisões no exterior foram um dos principais algozes da BRF em 2016. O volume consolidado no último trimestre de 2016 ficaram praticamente estáveis com os volumes do mesmo trimestre do ano anterior. Com quase 50% das vendas da companhia, as vendas no mercado doméstico retrocederam 9,1% na comparação anual, sendo resultado basicamente da queda de 14,8% das vendas de processados, que possuem melhores margens operacionais. Já no mercado externo, a Ásia foi o destaque: as diversas aquisições realizadas ao longo de 2016 explicam o forte avanço de volumes, levando o segmento a se tornar o mais rentável no trimestre com uma margem EBITDA no segmento de 11,8%. Na Europa, o cenário de vasta oferta de aves assim como a concorrência de players domésticos penalizou duramente a rentabilidade da região. No consolidado, o EBITDA ficou em R$ 559 milhões, uma margem de somente 6,5%, deterioração de 14,5 p.p. ante o mesmo período de 2015. O resultado operacional pressionado e o resultado financeiro negativo levaram a um prejuízo de R$ 460 milhões no período. Com este resultado debilitado, seus papéis devem corresponder de forma negativa no pregão de hoje.

São Martinho (SMTO3) anuncia conclusão na incorporação da Nova Fronteira. A produtora de açúcar e etanol anunciou hoje que através do aumento de capital de 24.023.708 novas ações ordinárias que foram entregues aos então acionistas da Nova Fronteira e para a Petrobras Biocombustíveis.  A São Martinho havia comprado o restante da Nova Fronteira, em que já detinha participação de 50%. A incorporação faz parte dos planos estratégicos de crescimento da São Martinho e dos planos de desinvestimentos  da Petrobras.

Reformas no final do ano e conjuntura econômica afetaram o desempenho da Cia Hering (HGTX3). O resultado da Cia Hering neste 4T16 foi afetado parte pelo cenário conjuntural e pela estratégia de reforma de lojas que ficaram concentradas no final do ano (período de maiores vendas), com isso, as vendas foram negativamente afetadas. A receita líquida recuou 14,8% no 4T16, além do comentado acima, os canais multimarcas e franquias contribuíram sobremaneira para este resultado negativo. A margem bruta apresentou ganho decorrente do menor volume de peças vendidas com desconto e pela melhor gestão de estoques e sobras contraposto pela menor diluição de custos fixos. O EBITDA ficou 35,4% menor em relação ao 4T15, com queda de 4,5 p.p. na margem. Desta forma, o lucro líquido veio menor em 38,7% na mesma base comparativa. Já sua situação patrimonial ao final de dezembro apresentava baixo endividamento, estando bem alinhado à política conservadora de gestão financeira da empresa. Para 2017, a empresa não vislumbra investimento em abertura de loja, permanece somente nas reformas e melhorias nas coleções. A Hering irá fazer sua teleconferência hoje às 11h00. Continuamos reticentes quanto a uma melhora no curto prazo para seus papéis. Acreditamos que suas ações irão performar negativamente no pregão de hoje.

Saída do bloco de controle da Rumo Logística (RUMO3). A operadora logística informou que o acionista TPG VI - Fundo de Investimento em Participações exerceu seu direito de substituir a totalidade de sua posição (12.831.102 ações) no capital social da companhia por ações de emissão da Cosan (CSAN3) e da Cosan Log (RLOG3). O fundo fazia parte do grupo de controladores mesmo detendo apenas 3,6% do capital da empresa em função do acordo de acionistas firmado no âmbito da incorporação da ALL pela Rumo Logística. Seguem no bloco de controle a Cosan Logística com 28,4% e Julia Arduini com 3,8% que também faz parte do acordo de acionistas e deverá manter sua posição enquanto o Sr. Rubens Ometto exercer o cargo de presidente do conselho de administração ou ser controlador indireto da Rumo. Além do braço de investimentos do BNDES, a BNDESPar, que detém 8,0% das ações RUMO3 e que ainda não houve indicação sobre o desinvestimento na companhia, embora o prazo do acordo determine três anos como tempo mínimo para manter 50% da sua participação atual e dez anos como tempo máximo enquanto o BNDES detiver ao menos 5% do capital da companhia.

Fracos resultados e distribuição de proventos da Engie Brasil (EGIE3). A geradora apresentou números fracos neste 4° trim/16, com a combinação entre menor produção de energia elétrica e maiores custos pressionando EBITDA, margem e lucro do período. As condições hidrológicas mais desfavoráveis do derradeiro trimestre de 2016 aliado a algumas paradas temporárias em usinas termelétricas derrubou a geração do período, que caiu 18,8% ante o 4° trim/15. Já a queda no volume vendido se deve principalmente ao término de alguns contratos e a redução no consumo em contratos flexíveis, o que pressionou a receita líquida, a despeito da alta de 5% no preço médio de venda. Não obstante, a rubrica de custos foi impactada pelo maior dispêndio com encargos e com provisões operacionais, além do efeito não recorrente registrado no 4° trim/15 referente a adesão ao programa de repactuação do risco hidrológico que trouxe um ganho de R$ 223,1 milhões, distorcendo a base de comparação. Além dos resultados, a companhia propôs a distribuição de dividendos no valor de R$ 0,6275 por ação, o equivalente a um yield de aproximadamente 1,66%, proposta que ainda deve ser ratifica em AGO, onde deve ser divulgada as condições como data ex e data de pagamento. O desempenho reportado pela Engie ficou um pouco aquém das estimativas de mercado, o que pode trazer impacto marginalmente negativo para seus papéis.

Resultado da Transmissão Paulista (TRPL4) fica em linha com as expectativas. O reajuste monetário da RAP (receita anual permitida) de 2015/2016 para o ciclo 2016/2017 aliado a entrada em operação de novos investimentos elevaram a receita líquida regulatória de 2016 em 7,3% em relação a 2015. Em termos de custos e despesas, houve aumento acima da inflação nos gastos com materiais, serviços e depreciação, mas a normalização na rubrica de contingências, que havia sido impactada de forma não recorrente em 2015, mais que compensou essas altas. Assim, o EBITDA regulatório avançou 18,6% entre 2016 e 2015 e a margem EBITDA saltou de 46,2% para 51,1% no último ano, enquanto que a alta no lucro líquido foi limitada pela maior despesa financeira do período. Isso sem considerar o efeito do reconhecimento da indenização dos ativos não amortizados até 2000, o que trouxe um efeito contábil de R$ 6,5 milhões no EBITDA Consolidado da companhia. Essa divulgação não deve ter grande influência sobre seus papéis no pregão de hoje.

Eletropaulo (ELPL4) anuncia "Programa de Produtividade" e proposta de migração ao Novo Mercado. A Eletropaulo divulgou seu um "Programa de Produtividade" para esse e o próximo ano, onde prevê a redução de custos, em termos reais, de R$ 200 milhões em 2017 e de R$ 150 milhões para 2018, além da realização de R$ 3.970 milhões de investimentos entre 2017 e 2021, a fim de recuperar os índices de qualidade e aumentar sua Base de Remuneração Regulatória. Concomitantemente a esse programa a elétrica propôs aos acionistas a migração para o Novo Mercado de governança corporativa, processo que deve encerrado no final desse ano e que vai exigir a convocação de assembleias e aprovação dos acionistas para conversão de todas ações preferenciais e ordinárias, bem como a aprovação de credores para a realização da mudança. A companhia ainda deixa claro que pode desistir da alteração, a depender do custo do exercício de direito de retirada. Seus papéis podem reagir de forma positiva a tal divulgação no curtíssimo prazo.

Ainda bem que o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) tem a bandeira Assaí. Novamente, o Grupo Pão de Açúcar apresentou prejuízo, no entanto, veio melhor que o reportado no 4T15. Em relação aos negócios, o avanço continua sendo na bandeira Assaí, dada a sua expansão orgânica e ao forte crescimento das vendas, compensando em partes os números mais fracos em varejo alimentar e multivarejo. Para o ano de 2017, o GPA continuará priorizando a abertura de novas lojas nos modelos mais aderentes à determinadas regiões - o atacado de autosserviço Assaí, as lojas de Proximidade do Minuto Pão de Açúcar e o Pão de Açúcar convencional - além do fechamento de unidades não rentáveis. Além disso, iniciaram um processo de mudança de bandeiras de ativos já existentes, convertendo as unidades de Extra Hiper para Assaí, o cronograma para 2017 prevê inauguração de aproximadamente 15 unidades de Assaí convertidas, além da abertura entre 6 a 8 novas unidades. Na área de multivarejo, a empresa planeja 5 novas lojas Pão de Açúcar e 10 unidades Minuto Pão de Açúcar. A companhia irá fazer sua teleconferência hoje às 10h00. Considerando a aceleração em abertura de lojas que são mais rentáveis, esperamos que os próximos números da empresa venham a apresentar melhoras. Ainda assim, acreditamos que suas ações irão performar de forma neutra para negativa no pregão de hoje. 
 
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Bons negócios.